Segunda-feira, Agosto 24, 2026
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Santo Epifânio de Salamina negou a Assunção de Maria?

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I. Introdução

Santo Epifânio de Salamina (310-403) é considerado o primeiro Padre da Igreja a comentar explicitamente acerca do destino final da Santíssima Virgem. Ele escreve acerca do tema em duas ocasiões distintas, que constituem os capítulos 78 e 79 de sua obra principal, o Panarion. Embora estes dois capítulos estejam incluídos numa mesma obra, segundo Stephen Shoemaker, eles originalmente foram escritos como duas obras distintas, sendo o capítulo 78 (também conhecido como “Carta à Arábia“) escrito cerca de 7 anos antes do restante do Panarion.[1] Ou seja, no capítulo 78, Santo Epifânio apenas adicionou no seu escrito maior (o Panarion), uma carta anteriormente escrita por ele. Alguns protestantes alegam que Epifânio desconheceria qualquer tradição acerca do fim da vida da Santíssima Virgem, o que, como veremos ao longo do texto, é uma péssima exegese da obra de Santo Epifânio.

II. O capítulo 78 do Panarion e a questão da morte da Virgem

Investiguem os vestígios das Escrituras, e não encontrarão nem a morte de Maria, nem se morreu ou não morreu; nem se foi sepultada ou não foi sepultada. Ainda que João tenha partido para a Ásia, em parte alguma se diz que levou consigo a santa Virgem. A Escritura permanece em silêncio por causa da grandeza do milagre (θαῦμα – thaûma), para não levar a mente dos homens ao espanto. Eu, de fato, não ouso falar com certeza, mas apenas medito sobre isso. Talvez encontremos indícios de que daquela santa e bem-aventurada não se pode descobrir a morte. Pois Simeão diz a respeito dela: “E uma espada traspassará a tua própria alma, para que se revelem os pensamentos de muitos corações” (Lc 2:35). E no Apocalipse de João diz-se que o dragão se lançou contra a mulher que deu à luz o filho varão, mas “foram dadas a ela asas de águia, e foi levada ao deserto para escapar do dragão” (Ap 12:14). Talvez isso se refira a ela; porém não o afirmo com certeza, nem digo que permaneceu imortal, nem asseguro que tenha morrido. A Escritura ultrapassou o entendimento humano e deixou a questão em suspenso, por causa do caráter precioso e excelentíssimo desse vaso, para que ninguém tenha pensamentos carnais a seu respeito. E, mesmo que tenha morrido – não o sabemos – e foi sepultada, não esteve em uniões carnais de modo nenhum! Quem, tendo perdido o juízo, ousaria levantar uma suspeita blasfema, abrir a boca, soltar a língua e proferir palavras ofensivas contra a santa Virgem, em vez de louvores e glória, desonrando o vaso honrado?” (Santo Epifânio de Salamina, Panarion 78, 11, PG., 42, 715-716 A, C)

“Pois se a Santa Virgem morreu e foi sepultada, sua dormição (κοίμησις) foi em honra (ἐν τιμῇ), seu fim em castidade e sua coroa em virgindade. Ou talvez ela tenha sido morta, tal como está escrito, “e uma espada transpassará sua alma” (Lc 2,35), a sua glória é entre os mártires e o sagrado corpo daquela por meio da qual resplandece para o mundo a luz está na bem-aventurança (καὶ ἐν μακαρισμοῖς τὸ ἅγιον αὐτῆς σῶμα δι’ ἧς φῶς ἀνέτειλε τῷ κόσμῳ). Ou ela permaneceu [viva]. Pois não é possível que todas as coisas sejam feitas por Deus, quando Ele o quer? O fim dela, pois, ninguém conheceu.” (Santo Epifânio de Salamina, Panarion 78, 23; PG 42, 737)

Neste capítulo, Santo Epifânio afirma não ter uma opinião consolidada sobre a forma como Nossa Senhora partiu deste mundo: isto é, se morreu ou não morreu; se foi mártir ou se não foi mártir. Apesar da dúvida relativa à Dormição, em nenhum lugar desta passagem Santo Epifânio questiona explicitamente a questão de sua glorificação corporal. Pelo contrário, mesmo ao cogitar as hipóteses em que Maria não teria morrido, como, por exemplo, a hipótese de seu martírio, ele parece tomar por pressuposto que seu corpo já está glorificado no céu: “e o sagrado corpo daquela por meio da qual resplandece para o mundo a luz está na bem-aventurança” (καὶ ἐν μακαρισμοῖς τὸ ἅγιον αὐτῆς σῶμα δι’ ἧς φῶς ἀνέτειλε τῷ κόσμῳ).

Quanto a este capítulo, comenta o Padre Gabrielle Roschini, um dos principais mariologistas do século XX, que colaborou com a escrita da Munificentissimus Deus, e fundou a revista Marianum (que é até hoje o principal periódico acadêmico de mariologia em Roma):

“Resumindo, Santo Epifânio não duvida de que: 1) O fim da vida terrena de Maria foi repleto de milagres, ou seja, não foi comum, mas prodigioso; 2) O mesmo silêncio da Sagrada Escritura sobre um tal fim é devido à «superabundância do milagre», «para não provocar o assombro na mente humana»; 3) Que na verdade supõe de tal maneira portentoso o fim da vida terrena de Maria que considera como possível e, mais ainda, plausível (não ainda certa) a trasladação imediata de Maria em alma e corpo à vida imortal (sem a morte e a ressurreição); 4) Ele duvida apenas do «modo» como a Virgem deixou a vida terrena (se morreu ou não morreu), sem duvidar de maneira nenhuma da glorificação em alma e corpo de Maria Santíssima; 5) Evitou falar explicitamente da tradição assuncionista já vigente no seu tempo, porque pretendia refutar a heresia das Coliridianas, as quais se excediam no culto da Rainha do Céu, considerando-a como uma deusa. A morte, com efeito, é o que distingue geralmente o homem de Deus. A morte é o destino do homem. O insigne Bispo de Salamina sabe muito bem, no entanto, que o termo da vida terrena de Maria «não foi ordinário», mas «cheio de prodígio, capaz de lançar no assombro a mente humana». E acrescenta logo que «a Escritura, transcendendo a capacidade da mente humana, deixou o acontecimento na incerteza (ou seja, se Maria permaneceu imortal ou se morreu), por causa daquele vaso exímio e precioso, para que ninguém pudesse suspeitar dela qualquer coisa de tipo carnal». Esta certeza demonstrada por Santo Epifânio relativamente ao termo portentoso da vida de Maria adequa-se muito bem à tradição já clara e explícita naquele século e no século seguinte acerca da Assunção de Maria Santíssima. Há uma só diferença entre Santo Epifânio e a tradição existente no seu tempo e depois dele: enquanto para Santo Epifânio a morte e a ressurreição de Maria é incerta (visto que admite que a Virgem poderia ter subido ao céu sem morrer nem ressuscitar), a forma da tradição existente no seu tempo e a seguir a ele admitia a morte e a ressurreição.” (ROSCHINI, Gabriele M. L’Assunzione di Maria SS. nei primi cinque secoli dell’èra cristiana, In: Renovatio 2 (1967), pp. 589-608)

E, quanto a declaração de Epifânio de que o corpo da Virgem já estaria na beatitude, Roschini escreve:

“‘Inter martyres est gloria eius et in beatitudinibus sacrum illius corpus, per quam lumen mundo inluxit’ (ibid): Aqui a alusão à Assunção corpórea da Virgem é ainda mais clara.” (ROSCHINI, Gabriele M. L’Assunzione di Maria SS. nei primi cinque secoli dell’èra cristiana, In: Renovatio 2 (1967), pp. 589-608, nota 31)

Devemos, portanto, concluir que a dúvida de Santo Epifânio em sua primeira obra não é explicitamente uma dúvida propriamente quanto à Assunção da Virgem, mas sim quanto à sua Dormição.

III. O capítulo 79 do Panarion e a Assunção de Maria

“Pois, ainda que o vaso seja extraordinário, ela continua sendo mulher, não tendo sua natureza mudada em nada: apenas sua disposição e entendimento foram honrados, assim como também os corpos dos santos são honrados. E, se eu disser algo ainda maior para o seu louvor: ela é como Elias, que foi virgem desde o ventre materno, permaneceu assim perpetuamente, foi assunto (ἀναλαμβανόμενος), e não viu a morte (θάνατον δὲ οὐχ ἑωρακώς). Ela é como João, que reclinou sobre o peito do Senhor, a quem Jesus amava. Ela é como santa Tecla. E Maria é ainda mais honrada do que todos estes, por causa da economia divina que lhe foi confiada. Mas nem Elias é objeto de adoração, ainda que esteja entre os vivos; nem João é adorado, ainda que, por sua própria oração, tenha tornado sua dormição (κοίμησιν) algo extraordinário — ou melhor, tendo recebido essa graça de Deus; nem Tecla, nem qualquer dos santos é adorado. (Santo Epifânio de Salamina, Panarion 79,5,2; PG 42:748)

Sete anos após escrever sua “Carta a Arábia” (isto é, o capítulo 78 do Panarion), Santo Epifânio já não tem mais dúvidas e, através de sua comparação com Elias, João e Tecla afirma a imortalidade da Virgem. Duas razões nos levam a essa conclusão no texto supracitado:

1) Os atributos de Elias são apresentados como atributos de Maria: Ora, ao estabelecer uma comparação “para o louvor” de Maria, comparando-a a Elias, Santo Epifânio cita duas características que ao longo tanto do capítulo 78 quanto do capítulo 79 de seu Panarion fez questão de enfatizar serem especificamente características da Virgem, isto é, ter sido “virgem desde o ventre materno, e permanecido assim perpetuamente” (especialmente devido a sua polêmica contra os antidicomarianitas). Ora, claramente essas características dizem respeito não apenas a Elias, mas também a Maria, o que torna natural ler as duas demais características apresentadas – isto é, “foi assunto (ἀναλαμβανόμενος), e não viu a morte (θάνατον δὲ οὐχ ἑωρακώς)” – como sendo também atributos compartilhados entre Elias e Maria.

2) A comparação com o destino final de João e Tecla: Epifânio no final deste capítulo especifica ainda mais o motivo pelo qual, após mencionar a assunção e imortalidade de Elias, compara ainda Maria com João e Tecla, enfatizando não outra coisa senão o modo como partiram desta vida. Se Epifânio quisesse comparar Maria a figuras bíblicas conhecidas apenas por sua virgindade, certamente teria escolhido figuras ainda mais famosas que estas que gozaram do referido atributo, como São João Batista. Aqui, no entanto, ele elege compará-la com João e Tecla porque, na tradição do fim do século IV e início do século V, acreditava-se que eles haviam permanecido imortais. Santo Agostinho testemunha essa tradição no que concerne a São João [2], enquanto a obra Vita et Miracula Sanctae Theclae testemunha essa mesma tradição com relação a Santa Tecla [3]. Vale ainda ressaltar que em todas as versões da obra Atos de Paulo e Tecla (séc. II), Santa Tecla sobrevive às tentativas de martírio aflingidas contra ela.[4] Santo Epifânio, portanto, compara Maria com três santos que eram cridos por seus leitores como tendo permanecido imortais: Elias, João e Tecla.

Essas conclusões sobre o texto de Epifânio são compartilhadas academicamente por Stephen Shoemaker, que é atualmente o mais conhecido autor sobre o tema das tradições acerca da Dormição e da Assunção de Nossa Senhora. Shoemaker escreve:

“Mesmo que Epifânio não trate do fim da vida de Maria com o mesmo nível de detalhe que na Carta à Arábia, ele ainda assim volta ao assunto em seus argumentos contra as práticas rituais coliridianas. Mais importante, porém, é que aqui Epifânio se afasta tacitamente do agnosticismo de sua Carta à Arábia ao afirmar, de maneira bastante inequívoca, que Maria, assim como Elias, foi assumida em corpo e não morreu. Aproximadamente sete anos após a Carta à Arábia, Epifânio já não insiste que o destino final de Maria seja um grande mistério, mas informa seus leitores, em um momento pouco cauteloso, que ela foi miraculosamente retirada deste mundo e ainda permanece viva. O significado dessa nova posição não é totalmente claro. Teria Epifânio simplesmente mudado de opinião quando chegou a escrever as seções finais do Panarion? Talvez, nos anos intermediários, tradições sobre o fim da vida de Maria tenham começado a circular mais amplamente, tornando cada vez mais difícil sustentar uma posição de ignorância. Ou talvez o agnosticismo insistente da Carta à Arábia seja apenas aparente, moldado para servir à sua retórica contra o casamento espiritual, como sugerido acima. Pode ser que, não havendo controvérsia quanto à virgindade de Maria em seu conflito com os coliridianos, ele tenha podido tratar a questão de forma mais aberta. Ainda assim, independentemente de sua motivação, não há dúvida de que aqui Epifânio adota uma posição diferente quanto ao fim da vida de Maria em relação à Carta à Arábia. Sem hesitação, ele afirma que Maria, como Elias, escapou da morte e foi assumida ao céu, e sua súbita clareza nesse ponto certamente põe ainda mais em questão suas anteriores declarações de ignorância na Carta à Arábia.” (Stephen J. Shoemaker, “Epiphanius of Salamis, the Kollyridians, and the Early Dormition Narratives: The Cult of the Virgin in the Fourth Century,” in The Dormition and Assumption Apocrypha (Studies on Early Christian Apocrypha 15; Leuven: Peeters, 2018), p. 218-219)

“Para garantir, Epifânio de Salamina também menciona a miraculosa dormição de João, acrescentando que “João não deve ser venerado, mesmo que, por sua própria oração (ou melhor, ao receber graça de Deus), tenha feito de seu adormecer [κοίμησιν] algo extraordinário.” Aqui, Epifânio faz referência a uma variedade de tradições sobre o fim maravilhoso da vida de João que já começavam a circular nessa época. Inspirando-se em Evangelho de João, os Atos de João do século II descrevem a partida de João deste mundo como tendo ocorrido de forma dramática, aparentemente por sua própria vontade. Contudo, no final do século IV, uma tradição literária distinta, mas relacionada, de sua “metástase”, incluindo a remoção milagrosa de seu corpo, havia começado a se difundir amplamente e em numerosas versões. Fica claro que a intimidade de João com Cristo não foi a única razão pela qual Epifânio decidiu compará-lo a Maria: a morte milagrosa de João poderia ser usada para contrapor as tradições da Dormição de Maria e diminuir quaisquer alegações de que a Virgem fosse de algum modo digna de veneração única por causa de sua partida miraculosa deste mundo.” (Stephen J. Shoemaker, “Epiphanius of Salamis, the Kollyridians, and the Early Dormition Narratives: The Cult of the Virgin in the Fourth Century,” in The Dormition and Assumption Apocrypha (Studies on Early Christian Apocrypha 15; Leuven: Peeters, 2018), p. 219-220)

Alguns protestantes, no entanto, poderiam ainda questionar o motivo pelo qual, no texto em questão, Santo Epifânio compararia também Maria a João especificamente por este ter “reclinado sobre o peito do Senhor” e ser “aquele a quem Jesus amava”. Shoemaker, no entanto, explica que aí, Epifânio está a comparar apenas a grande intimidade que ambos possuíam com Nosso Senhor:

João presumivelmente aparece rivalizando a intimidade da Virgem Mãe com seu filho. João, também virgem, é “o discípulo a quem Jesus amava”, aquele que se reclinou sobre o peito de Jesus na Última Ceia. Embora Epifânio não torne o ponto explícito, certamente sua implicação é que o relacionamento próximo de Maria com seu filho não justificaria veneração mais do que o status de João como o discípulo amado de Cristo poderia justificar a sua própria veneração. (Stephen J. Shoemaker, “Epiphanius of Salamis, the Kollyridians, and the Early Dormition Narratives: The Cult of the Virgin in the Fourth Century,” in The Dormition and Assumption Apocrypha (Studies on Early Christian Apocrypha 15; Leuven: Peeters, 2018), p. 218)

IV. Conclusão

Santo Epifânio é, portanto, o primeiro Padre da Igreja a afirmar a doutrina da Assunção de Maria, tanto no Panarion 78 (a “Carta a Arábia”) quanto no Panarion 79 (escrita sete anos depois daquele). O que Epifânio duvida no capítulo 78 e nega formalmente no capítulo 79 é apenas a questão da Dormição e Martírio de Maria, isto é, os detalhes associados ao fim de sua vida terrena. Em momento algum ele põe em dúvida que “o sagrado corpo daquela por meio da qual resplandece para o mundo a luz está na bem-aventurança (καὶ ἐν μακαρισμοῖς τὸ ἅγιον αὐτῆς σῶμα δι’ ἧς φῶς ἀνέτειλε τῷ κόσμῳ)” e muito menos o caráter “milagroso” (θαῦμα – thaûma) e “capaz de causar espanto na mente dos homens” do fim da vida da Virgem.

V. NOTAS

[1] SHOEMAKER, Stephen. Epiphanius of Salamis, the Kollyridians, and the Early Dormition Narratives: The Cult of the Virgin in the Fourth Century. In: Journal of Early Christian Studies, Volume 16, n. 3, Outono de 2008, p. 395.

[2] Apesar de ser particularmente cético com relação a imortalidade de João, Santo Agostinho testemunha que essa era uma tradição comumente crida em seu tempo: “Temos também a tradição (encontrada em certos escritos apócrifos), de que ele [João] estava presente, com boa saúde, quando mandou fazer para si um sepulcro e, quando este foi escavado e preparado com todo o cuidado possível, ele se deitou ali como em um leito, e tornou-se imediatamente morto. Contudo, segundo os que assim interpretam estas palavras do Senhor, não realmente morto, mas apenas deitado como alguém em tal condição. E, sendo tido como morto, foi na verdade sepultado enquanto dormia, e que assim permanecerá até a vinda de Cristo, manifestando entretanto o fato de sua vida pelo borbulhar do pó, que se crê ser impelido pela respiração daquele que dorme, subindo das profundezas à superfície do sepulcro.” (Santo Agostinho de Hipona, Tract. Ev. Joh. 124.2).

[3] “Ela de modo algum morreu, segundo a narrativa mais abundante e mais confiável, mas, ainda viva, afundou e desceu à terra, pois aprouve a Deus que o solo naquele lugar se abrisse e se partisse para recebê-la, exatamente onde estava fixada a mesa divina, santa e litúrgica, erguida em uma colunata circular resplandecente de prata; e, de cada sofrimento e enfermidade, ela faz brotar dali correntes de curas, como de uma fonte de graça virginal que jorra remédios para aqueles que pedem e suplicam.” (Pseudo-Basílio de Seleucia, Vita et Miracula Sanctae Theclae, 28, 1).

[4] Nunca houve uma crença generalizada de que Tecla, portanto, fosse uma mártir literal.  Como a palavra grega para “mártir” (μάρτυς) significa etimologicamente “testemunha”, a mera tentativa de martírio, no entanto, lhe conferiu na tradição posterior o título de “proto-mártir”:  “The Acts is a variation on this narrative: Thecla is not yet married (although she is engaged) and the apostle Paul is not condemned to death but ecla, the girl who embraces virginity, is subject twice to unsuccessful public execution (earning her the later sobriquet “protomartyr”).” (JACOBS, Andrew S. The Life of Thecla: A Pauline Saint in Late Antiquity. New York: Columbia University Press, 2008).

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