Sexta-feira, Março 6, 2026
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Refutando acusações contra o livro de I Macabeus

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O Primeiro Livro dos Macabeus é uma história da luta do povo judeu pela liberdade religiosa e política, sob a liderança da família Macabeu, com Judas Macabeus como a figura central. Após uma breve introdução (1, 1-9), explicando como os judeus passaram da dominação persa à dos selêucidas, relaciona as causas do surgimento sob Matatias e os detalhes da revolta até a sua morte (1, 10 ao Capitulo 2); os feitos gloriosos e a heroica morte de Judas Macabeus (3-10, 22); a história da liderança bem sucedida de Jonatan (9, 23 ao Capítulo 12), e da sábia administração de Simão (8 – 16, 17). O livro termina (16, 18-24) com uma breve menção das dificuldades presentes na ascensão de João Hircano e com um breve resumo do seu reinado. O livro abrange o período entre os anos 175 e 135 a.C.

A narrativa, tanto em estilo e forma é modelada nos livros históricos mais recentes do Antigo Testamento. O estilo é geralmente simples, mas, às vezes, torna-se eloquente e, até mesmo, poético, como, por exemplo, no lamento de Matatias sobre as desgraças do povo e da profanação do Templo (2, 7-13), ou o elogio de Judas Macabeus (3, 1-9), ou ainda na descrição da paz e da prosperidade do povo depois de longos anos de guerra e sofrimento (14, 4-15). O tom é calmo e objetivo. O autor, como uma regra, abstém-se de qualquer comentário direto sobre os fatos que está narrando. Os eventos mais importantes são cuidadosamente datados de acordo com a era selêucida, que começou com o outono de 312 a.C. (ENCICLOPÉDIA CATÓLICA, 1908).

O nome Macabeu vem, provavelmente, do acrônimo do versículo de Êxodo 15, 11, onde se lê: “Oh Senhor, quem é como tu, entre os deuses?”, cujas palavras em hebraico são: מִֽי־כָמֹ֤כָה בָּֽאֵלִם֙ יְהוָ֔ה מ (Mi Csmoka Baelim Yahveh). Das letras iniciais, MCBY, teria se formado a palavra MACABI ou MACABEU, que também significa “martelo”.

O seu conteúdo pode ser divido da seguinte forma:

1. Ambiente político e revolta de Matatias (1,1-2,70): Alexandre Mag­no (1,1-9); Antíoco Epifânio (1, 10-40); per­­se­guição religiosa (1,41-64); feitos de Matatias (2,1-70).

2. Judas Macabeu (3,1-9,22): pri­meiras vitórias de Judas (3,1-4,35); puri­ficação do templo e instituição da festa da dedicação (4,36-61); guerra contra os povos vizinhos (5); morte de Antíoco na Pérsia (6,1-17); Antíoco Eupátor ataca a Ju­deia e faz a paz com os judeus (6,18-63); Demétrio, sucessor de Eupátor, decla­ra guerra a Judas Macabeu (7); Ju­das Macabeu alia-se aos romanos (8); morte de Judas Macabeu (9,1-22).

3. Feitos de Jônatas, suces­sor de Ju­das Macabeu (9,23-12,54): modificação da situação dos judeus (9,23-73); Jô­natas aproveita-se da guerra civil dos sírios (10); confir­mação da situação de Jônatas (11); aliança com os ro­ma­­nos e com os es­partanos (12,1-23); Jônatas em po­der de Trifon (12,24-54).

4. Simão, príncipe do povo ju­­deu (13,1-16,24): Simão procura resga­­tar seu irmão (13,1-32); Simão as­se­gura a liberdade do seu povo (13,33-53); Simão é aclamado prín­cipe do povo judeu (14); Antíoco Si­detes volta-se contra os judeus (15); morte de Simão (16). (CAPUCHINHOS, 2007).

I. Provando Autenticidade

1. No evangelho de João vemos o seguinte relato:

Em Jerusalém celebrava-se a festa da Dedicação. Era inverno. Jesus andava pelo templo, no pórtico de Salomão.” (João 10, 22-23)

Novamente, se um protestante for questionado a mostrar em seu cânon do Antigo Testamento, onde se encontra a instituição dessa festa, comemorada no inverno, e que João faz menção, ele pode ir de Gênesis a Apocalipse, mas não encontrará absolutamente nada a respeito. Então, onde se encontra? Seria aqui uma menção a uma festa em que o Antigo Testamento se calou?

Todas as festas comemoradas em Israel são instituídas em um livro do Antigo Testamento e por uma causa.

Essas são todas as festas de Israel. Então, onde é referenciada essa festa da dedicação? A festa da Dedicação só é encontrada em I Macabeus:

Então, Judas e seus irmãos, e toda a assembleia de Israel, determinaram que os dias da dedicação do altar fossem anualmente celebrados, no seu devido tempo, pelo espaço de oito dias, a partir do dia vinte e cinco do mês de Casleu, com júbilo e alegria.” (I Macabeus 4, 59).

O mês Casleu é justamente no inverno do qual João fala. A festa da dedicação foi instituída por Judas Macabeus e seus irmãos para celebrar a recuperação de Jerusalém e do Templo. O Templo foi limpo, um novo altar foi construído no lugar daquele que havia sido profanado e novos objetos sagrados foram feitos. Quando o fogo foi devidamente renovado sobre o altar e as lâmpadas dos candelabros foram acesas, a dedicação do altar foi celebrada por oito dias entre sacrifícios e músicas (I Macabeus 4, 36).

Deve-se notar que absolutamente todas as festas de Israel foram relatadas em livros inspirados, por que somente a festa da dedicação ficaria de fora? Só ela Deus não quis que fosse relatada? E deixou a cabo de um livro “apócrifo” relatar? Estaria Jesus e toda Jerusalém, comemorando uma festa “apócrifa”? Obviamente que não! Esta é mais um prova irrefutável do caráter divino e inspirado do Livro de I Macabeus. Uma festa de tamanha importância que até os dias de hoje é comemorada pelos judeus, não passaria despercebida aos olhos veterotestamentários.

2. Prova Arqueológica da historicidade de I Macabeus

Há muito tempo, arqueólogos se questionavam onde estaria localizada a grande fortaleza (Em grego: Acra) mencionada nos livros de I Macabeus:

Cercaram a Cidade de Davi com uma grande e sólida muralha, com possantes torres, tornando-se assim ela sua fortaleza. Instalaram ali uma guarnição brutal de gente sem leis, fortificaram-se aí;” (I Macabeus 1,33-35 (35-38))

Muitos tinham-na como fictícia (principalmente detratores do livro), porém 100 atrás, começou-se uma busca pela localização desta cidadela, mas sem sucesso. Houve um intenso debate sobre sua localização durante anos, até que recentemente recomeçaram novas buscas e no dia 03 de novembro do ano de 2015, os arqueólogos divulgam que finalmente encontraram a tão debatida Acra. Esta notícia foi anunciada nos maiores jornais1 do mundo, tamanha a importância dela.

Essa descoberta coloca fim a um dos maiores enigmas arqueológicos relativos à Jerusalém – ou seja, a localização da fortaleza imperial grego-selêucida que Antíoco Epifânio (215-164 aC) é conhecido por ter construido-a para governar a cidade e supervisionar as atividades judaicas no Monte do Templo. A fortaleza foi destruída eventualmente pelos Macabeus quanto eles derrubaram a ocupação grega, como atesta o livro:

Em seu tempo, expulsou os estrangeiros da região ocupada e os que estavam em Jerusalém, na Cidade de Davi. Eles tinham construído aí a fortaleza [em grego: acra] de onde saíam para profanar as vizinhanças do Templo, causando-lhe grave atentado à sua pureza.(I Macabeus 14, 36)

Além de ser mencionada no Livro dos Macabeus, é também menciona nos escritos de Joséfo:

… e quando ele tinha derrubado as muralhas da cidade, ele construiu uma cidadela [grego: Acra] na parte baixa da cidade, porque o lugar era alto, e com vista para o templo; no qual ele fortificada com muros altos e torres, e colocou nela uma guarnição de macedônios. (Flávio Josefo, Antiguidades Judaicas 12, 252-253

As escavações foram realizadas no estacionamento Givati, localizado no parque nacional da Cidade de David, e estão em curso há uma década. As escavações, que revelaram inúmeros achados estão em exibição para o público no sítio. Abaixo estão imagens que mostram o sítio arqueológico de Acra:

Tudo isso serve para provar que o livro de I Macabeus contém relatos históricos concretos e não foi simplesmente uma história inventada, como supõem os detratores do livro.

3. Outras influências literárias de I Macabeus nos escritos do Novo Testamento podem ser vistas em:

Gritaram com voz forte: ‘Senhor santo e verdadeiro, até quando tardarás em fazer justiça, vingando o nosso sangue contra os habitantes da terra? ” (Apocalipse 6, 10).

As palavras que as almas dos cristãos clamavam a Deus no Apocalipse são justamente uma influencia literária de I Macabeus, quando os Judeus clamaram ao rei por vingança:

os quais foram juntos procurar o rei, para dizer-lhe: ‘Até quando tardarás a fazer justiça e vingar os nossos irmãos? ” (I Macabeus 6, 22).

4. E também em:

O qual se deu a si mesmo por nossos pecados, para nos livrar do presente século mau, segundo a vontade de Deus nosso Pai” (Gálatas 1, 4).

O qual se deu a si mesmo em preço de redenção por todos, para servir de testemunho a seu tempo.” (I Timóteo 2, 6).

o qual a si mesmo se deu por nós, a fim de remir-nos de toda iniquidade e purificar, para si mesmo, um povo exclusivamente seu, zeloso de boas obras.” (Tito 2, 14).

A Expressão grega ἔδωκεν ἑαυτὸν”, presente nessas passagens, que se traduz como “deu-se a si mesmo” ou “entregou-se a si mesmo”, é uma expressão idêntica à utilizada pelo autor de I Macabeus para se referir à bravura de Eleazar que se entregou à morte para salvar seu povo na guerra em 1 Macabeus 6, 44:

Deu-se a si mesmo, então, para salvar o seu povo e adquirir renome imortal”.

É a mesma expressão usada por Paulo para se referir a Cristo, que se entregou a morte por nós, mostrando, assim, a forte influência literária que o livro de I Macabeus exerceu nos escritos do NT.

II. Refutando Acusações

Acusação:

I MACABEUS – (100 a.C) Descreve a história de 3 irmãos da família ‘Macabeus’, que no chamado período ínter-bíblico (400 a.C – 3 d.C) lutam contra inimigos dos judeus visando a preservação do seu povo e terra.

Primeiro erro é que os irmãos Macabeus eram cinco, e não três, segundo supõe o protestante como podemos constatar no livro:

Foi nessa época que se levantou Matatias, filho de João, filho de Simeão, sacerdote da família de Joarib, que veio de Jerusalém se estabelecer em Modin. Tinha ele cinco filhos: João, apelidado Gadis, Simão, alcunhado Tasi, Judas, chamado Macabeu, Eleazar, cognominado Avarã, e Jônatas, chamado Afos.” (I Macabeus 2, 1-5). 

Segundo, outro erro do acusador é dizer que existiu um tal “período interbíblico”. Esse período não é encontrado em nenhum lugar da Bíblia e muito menos nos escritos dos primeiros cristãos; o que já refuta automaticamente tal afirmação. Esse assunto será amplamente abordado no capítulo VI deste livro. Esse tal período não tem fundamento histórico ou teológico.

Acusação:

Contradição. Ao invés de Lísias voltar para lutar (I Macabeus 4, 35), fez a paz com os hebreus (II Macabeus 11, 13-38).

Não há nenhuma contradição nos textos citados. Essa acusação é mais uma daquelas que “forçam a barra”, porque é comum o texto de um autor conter fatos a mais do que o de outro. Isso é verificado quando se lê:

Vendo seu exército posto em fuga e os judeus cheios de bravura, prontos a viver ou a morrer valentemente, voltou Lísias a Antioquia para arregimentar tropas de mercenários, com o intuito de reaparecer na Judéia com um exército mais forte.” (I Macabeus 4, 35).

E também:

A maior parte destes, feridos, sem armas, pôs-se a salvo. O próprio Lísias salvou-se, fugindo vergonhosamente. Mas Lísias era inteligente. Refletiu, pois, na derrota e concluiu que os hebreus eram invencíveis porque o Deus poderoso combatia com eles. Enviou-lhes uma proposta em condições justas, prometendo-lhes persuadir o rei a tornar-se amigo deles.” (II Macabeus 11, 12-14).

Os textos são bastante similares. O problema se dá em como conciliar o fato de Lísias ter ido para Antioquia recrutar exércitos para guerrear em I Macabeus e ter enviado propostas de paz em II Macabeus. A solução é bem simples: em nenhum lugar é mencionado que Lísias guerreou novamente com os judeus depois de ter fugido. O fato de Lísias ter ido para Antioquia recrutar soldados e mercenários não implica dizer que ele fez isso, mas que somente teve a intenção, pois como já foi dito, nenhum outro ataque posterior de Lísias é relatado.

Os textos citados, em vez de se contradizerem, completam-se, pois Lísias tinha a intenção de voltar com mais soldados. Entretanto, acaba a descrição de I Macabeus sem relatar sua volta, mas somente sua intenção de voltar. II Macabeus, porém, completa a história, descrevendo que, como Lísias sabia que o exército dos judeus era imbatível, ele refletiu e resolveu mandar propostas de paz, em vez de guerrear, como foi sua primeira intenção ao fugir. Ele queria montar um exército, porém, acabou desistindo e mandou propostas de paz. Não encontramos, portanto, nenhuma contradição e, sim, um complemento da mesma história.

Acusação:

Contradição. Em I Macabeus 6, é narrada a morte de Antíoco Epífanes (soberano sobre a Palestina na época), mas em II Macabeus 1, 11-17 e 9, 1-18, 28, 29, as histórias são diferentes.

Não há nenhum problema em os autores bíblicos relatarem histórias diferentes a respeito da morte de Antíoco Epifanes, pois isso é bem comum na Bíblia, senão vejamos:

Como Judas morreu?

Suicidando-se por enforcamento (Mateus 27, 5) ou por se jogar em um precipício (Atos 1,18)?

Quando Sísera foi assassinado?

Enquanto dormia profundamente (Juízes 4, 21) ou quando estava acordado (Juízes 5, 25-27) ?

Onde Joaquim morreu?

Perto da Babilônia. (II Crônicas 36, 5-6) ou perto de Jerusalém. (Jeremias 22, 18-19).

Como estava a filha de Jairo quando Jesus chegou?

Ela já estava morta. (Mateus 9, 18) ou somente moribunda, mas viva (Marcos 5, 22-23; Lucas 8, 41-42)?

Vemos aqui cinco relatos em nove livros que contam a mesma história de diferentes modos. Isso invalida a canonicidade desses livros? Tiraríamos aqui, então, nove livros na Bíblia, por serem “contraditórios”?

Tais supostas contradições não são critérios para descanonizar um livro, seja ele qual for, pois os autores descreveram as mortes de acordo com analogias ou até mesmo de acordo com a história que chegou até eles, advinda das tradições orais do povo de Deus. O que importa não é a forma da morte, e sim a morte que o autor quer relatar.

Acusação:

Em I Macabeus 9, 27 […] o próprio livro admite não ser profético! E os apócrifos datam justamente deste tempo (400 a.C. até o nascimento de Jesus).

Essa acusação comete dois equívocos principais: 1) um erro de interpretação do texto de I Macabeus 9,27, e 2) uma suposição infundada sobre o conceito de inspiração bíblica e a cronologia dos livros sagrados.

O que realmente diz I Macabeus 9,27?

Naquele tempo houve grande tribulação em Israel, como nunca se vira desde o dia em que não aparecera mais profeta algum entre eles. (1 Macabeus 9,27)

Este versículo não afirma que o próprio livro de I Macabeus não é inspirado ou canônico. O autor está simplesmente descrevendo o contexto histórico: ou seja, que naquela época não havia profetas ativos como Elias, Isaías ou Jeremias, e por isso o povo sentia-se desamparado espiritualmente.

É perfeitamente possível — como ocorre em outros livros históricos bíblicos — que um texto inspirado descreva um tempo sem presença profética. Por exemplo, o livro de Ester também não menciona a atuação de profetas, e nem por isso é considerado “não inspirado”.

A inspiração não se limita ao gênero profético

O argumento de que um livro só pode ser canônico se for profético é completamente antibíblico. A Sagrada Escritura contém livros históricos (Josué, Reis, Crônicas), poéticos (Salmos, Cântico dos Cânticos), sapienciais (Provérbios, Eclesiastes), além de cartas, leis e evangelhos. Muitos desses livros não foram escritos por profetas, mas mesmo assim são inspirados por Deus.

Portanto, o fato de I Macabeus não ser um “livro profético” não o desqualifica em nada, assim como os livros de Rute, Neemias ou Crônicas também não o são e continuam canônicos nas Bíblias cristãs.

O chamado “período interbíblico” é uma invenção posterior

A expressão “período interbíblico” (entre o fim de Malaquias e o início de Mateus) é uma categoria didática tardia, não reconhecida pelos judeus da época nem pelos primeiros cristãos. Muitos dos acontecimentos mais importantes da história do povo de Deus — como a revolta dos Macabeus, a purificação do Templo e a instituição da Festa da Dedicação (cf. João 10,22) — aconteceram justamente nesse período.

A Tradição da Igreja sempre valorizou esse tempo, e livros como I Macabeus foram lidos, copiados, citados e usados liturgicamente muito antes do século XVI. A própria presença de festas judaicas descritas em I Macabeus sendo celebradas por Jesus no Novo Testamento é uma forte evidência de que esses livros eram respeitados e conhecidos por judeus e cristãos fiéis.

Dizer que I Macabeus não é inspirado porque “não é profético” ou “admite não ser profético” é uma interpretação equivocada e uma regra que nem a própria Bíblia exige para si mesma. Trata-se de um critério subjetivo e seletivo, criado séculos depois pelos reformadores para excluir livros que contradiziam suas doutrinas — como a intercessão dos santos, o valor das orações pelos mortos e a autoridade da tradição.

A Igreja, com base na Tradição Apostólica, sempre reconheceu I Macabeus como parte da Sagrada Escritura. Desconsiderar esse livro é perder uma peça essencial da história da fé do povo de Deus.

Acusação:

Contradição. Em I Macabeus 13, 43, 47 diz-se que Simão tomou a cidade de Gazara, em II Macabeus 10, 32-38, quem toma esta cidade é Judas Macabeus.

Não há qualquer contradição entre I e II Macabeus quanto à cidade de Gazara. O que vemos são duas ações diferentes:

  • Uma vitória militar temporária por Judas (II Mac 10),

  • E depois a tomada definitiva e purificação por Simão (I Mac 13).

Essa acusação nasce de leitura superficial e desconhecimento da estrutura histórica dos livros deuterocanônicos.

São eventos diferentes em tempos diferentes

  • II Macabeus 10,32-38 narra um episódio anterior, quando Judas Macabeu atacou Gazara durante sua campanha militar contra inimigos pagãos, especialmente os idólatras que estavam promovendo perseguições.

    Ele teve uma vitória militar ali, mas o texto não afirma que tomou posse permanente da cidade.

Judas, tendo reunido os seus, marchou contra a cidade de Gazara, e combateu-a por muito tempo… Judas derrotou os habitantes da cidade e queimou a torre. (cf. 2Mc 10,32-36)

Já I Macabeus 13,43-47 se refere a uma ação posterior, quando Simão finalmente tomou posse oficial e duradoura da cidade de Gazara, estabelecendo ali judeus e purificando-a segundo a Lei.

Simão tomou Gazara e a estabeleceu como cidade judaica… e pôs nela habitantes que guardassem a Lei. (cf. 1Mc 13,43-47)

Judas libertou, Simão consolidou

  • Judas atuou como libertador militar, fazendo incursões e derrotando os inimigos.

  • Simão, anos depois, já com maior estabilidade política, agiu como governante que reconstruiu, reorganizou e judaizou a cidade para integração ao território de Israel.

Exemplo comparativo em outros livros

Isso não é diferente do que acontece, por exemplo, com a cidade de Jerusalém:

  • Davi a conquistou militarmente (2Sm 5,6-10),

  • Mas foi Salomão quem a consolidou como centro do culto, construindo o Templo (1Rs 6).

Do mesmo modo:

  • Judas venceu Gazara, mas

  • Simão tomou posse definitiva e a santificou como cidade judaica.

Portanto a erro só existe na cabeça do acusador que convenhamos dá um belo ateu. 

CONCLUSÃO


O Primeiro Livro dos Macabeus, longe de ser apenas um relato histórico secundário ou um texto apócrifo, revela-se uma fonte riquíssima de fé, identidade religiosa e resistência do povo de Israel. Ele retrata com profundidade e fidelidade a luta heróica dos Macabeus contra a opressão religiosa e política, destacando especialmente a figura de Judas Macabeu e sua liderança inspiradora. O livro narra eventos reais, com datas precisas, estilo literário digno dos livros históricos bíblicos e com um claro compromisso com a preservação da fé e da tradição judaica.

A instituição da Festa da Dedicação, celebrada inclusive por Jesus em João 10, é uma prova interna de sua inspiração e reconhecimento pela própria Escritura. A arqueologia, por sua vez, confirma a historicidade de seus relatos, como no caso da descoberta da fortaleza Acra, anteriormente considerada lendária por alguns críticos. Essas evidências demonstram que não se trata de um texto ficcional, mas de um registro sólido da atuação de Deus na história de seu povo.

Sua influência no Novo Testamento é notável. A linguagem, os temas e até expressões específicas presentes nas cartas paulinas e no Apocalipse encontram paralelos diretos em I Macabeus, evidenciando que seus autores estavam familiarizados e espiritualmente conectados com esse livro. Ele alimentou a esperança messiânica e o senso de resistência espiritual que permeia os escritos apostólicos.

As acusações de contradições entre I e II Macabeus ou entre este e outros livros bíblicos são infundadas. O que há, na verdade, são perspectivas distintas, complementares, como é comum em muitos outros relatos bíblicos, inclusive nos Evangelhos. A multiplicidade de enfoques reforça a riqueza narrativa, não sua falibilidade. Do mesmo modo, alegar que o livro não é inspirado por não ser profético demonstra um desconhecimento do cânon bíblico e dos diversos gêneros literários que compõem a Sagrada Escritura.

A exclusão de I Macabeus do cânon protestante não se baseou em critérios objetivos de inspiração ou apostolicidade, mas sim em escolhas doutrinárias feitas na Reforma, especialmente por contrariar ensinamentos como a oração pelos mortos e o valor expiatório do sofrimento. No entanto, a Tradição da Igreja, os concílios antigos e a prática litúrgica judaica e cristã sempre o reconheceram como Escritura Sagrada.

Portanto, podemos afirmar com segurança que o Livro de I Macabeus possui autoridade espiritual, riqueza histórica, profundidade teológica e respaldo arqueológico. Que seu exemplo nos inspire a fidelidade, a coragem e a defesa da fé mesmo diante das maiores adversidades. Como os heróis que resistiram pela pureza do culto e da lei, sejamos nós também firmes defensores da verdade de Deus e de sua Igreja.

4 COMENTÁRIOS

  1. Maravilhosa refutação, está sendo muito útil para eu estudar, que vc faça mais refutação, somos muito atacados, católico tem que se aprofundar, obrigada Rafael, que Deus o abençoe

  2. Queria sugerir a vocês, que possuem artigos tão profundos e bem escritos, que realizassem mais um refutando o chamado “sacerdócio universal” do Lutero que tenta anular o sacramento da ordem.

  3. Para as pessoas que gostam de encontrar contradições nos deuterocanônicos, o que poderíamos dizer, referente ao episódio da crucificação de Jesus e dos malfeitores, em que o Evangelho de Mateus diz que ambos os malfeitores zombavam de Jesus, enquanto o Evangelho de Lucas relata que um deles pediu para que fosse lembrado (ser salvo, em outras palavras) e o outro sim, tivesse zombado?

  4. Os Macabeus descendem do patriarca Levi. Eles pertenciam a uma família sacerdotal judaica, conhecida como os Hasmoneus, e eram da tribo de Levi, a tribo responsável pelos serviços sacerdotais no Templo de Jerusalém.
    Matatias, o pai de Judas Macabeu e líder inicial da revolta, era um sacerdote, o que confirma sua linhagem levita. O título “Macabeu” (“martelo” em siríaco) era, na verdade, um apelido dado a Judas, o terceiro filho de Matatias e o principal líder militar da revolta contra o Império Selêucida no século II a.C..

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