Jesus mencionou o cânon protestante em Lucas 11, 50-51?

Deuterocanônicos
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Argumentação protestante:

 

Lucas 11, 51-52 Desde o sangue de Abel, até ao sangue de Zacarias, que foi morto entre o altar e o templo; assim, vos digo, será requerido desta geração. Ai de vós, doutores da lei, que tirastes a chave da ciência; vós mesmos não entrastes, e impedistes os que entravam.


Observe que Jesus acusa os escribas e fariseus de retirar a chave do conhecimento. Que chave é essa? E o que é que Deus está exigindo desta geração? A resposta está na frase "A partir do sangue de Abel até o sangue de Zacarias ..." Bem, novamente, Abel foi assassinado no primeiro livro da Bíblia (Gn 4:8). Agora os protestantes, que antecipam a resposta, talvez queriam procurar o assassinato de Zacarias no livro de Malaquias.
 

Outra coisa, observe que Jesus, judeu (cheio das Escrituras e possuindo a chave do conhecimento, os oráculos de Deus), circunstâncialmente se refere, desde o primeiro até o último livro do Velho Testamento.

 

Um protestante, portanto, poderia muito bem abrir sua Bíblia para pesquisar no último livro do Antigo Testamento, Malaquias, para o martírio de Zacharias. No entanto, Malaquias não é o último livro do Tanakh hebraico! O quê? Isso é correto. O hebraico bíblico, embora idênticos em termos de conteúdo para o Antigo Testamento protestante, não está na mesma ordem que as Bíblias católica ou protestante. Em hebraico o último livro da Bíblia é o livro das Crônicas. É aí que encontramos o assassinato de Zacarias entre o altar e o templo:

 

II Crônicas 24, 20 E o Espírito de Deus revestiu a Zacarias, filho do sacerdote Joiada, o qual se pôs em pé acima do povo, e lhes disse: Assim diz Deus: Por que transgredis os mandamentos do Senhor, de modo que não possais prosperar? Porque deixastes ao Senhor, também ele vos deixará. 21 E eles conspiraram contra ele, e o apedrejaram por mandado do rei, no pátio da casa do Senhor. 22 Assim o rei Joás não se lembrou da beneficência que Joiada, pai de Zacarias, lhe fizera; porém matou-lhe o filho, o qual, morrendo, disse: O Senhor o verá, e o requererá.


Vale a pena notar que enquanto Abel foi o primeiro mártir, Zacarias não é o último no Antigo Testamento, cronologicamente falando. Esse foi o profeta Urias, morto pelo rei Jeoiaquim em Jeremias 26:20-23, mais de um século após o martírio de Zacarias:


Jesus não falava cronologicamente do primeiro ao último mártir. Se fosse assim ele poderia ter dito: “a partir do sangue de Abel até o sangue de Urias”, mas não era isso que ele pretendia. Ele estava se referindo claramente ao Canon do Velho Testamento. Incrível, Jesus fez de propósito, e apenas os que tem fé e visão suficiente percebem a sabedoria universal de Deus que antecipava a eliminaçao de todos os erros adulterações que se levantariam contra aqueles que acrescentassem livros expúrios e duvidosos à sua santa Palavra.

 

Jesus, sabiamente, jeitosamente, e munido de circunstâncias favoráveis, nos favorece com a exata composição dos livros do Velho Pacto. Aqui, Ele faz menção do primeiro até o último livro das Escrituras Veterotestamentárias. Portanto, em Mateus 23:35 e Lucas 11:51 e em Lucas 24:44, Jesus estava referindo-se explicitamente a ordem e as divisões dos livros no hebraico bíblico como o completo leque das Escrituras Sagradas.
Veja o resultado coletivo citado por Jesus. Note que a terceira divisão especial do livro é definida como começando em Salmos e terminando em 2 Crônicas.

 

Tanakh
 

(Hebraico bíblico como delineado por Cristo)

 

A Lei : Gênesis - Deuteronômio


Os Profetas: Josué - Malaquias


Os Escritos: Salmos - 2 Crônicas

 

Muito antes de qualquer concílio católico romano, o mesmo hebraico bíblico, o Tanakh, era conhecido pelos cristãos como o Antigo Testamento. Embora o Canon hebraico seja composto de 24 livros, e a Bíblia dos protestantes - Antigo Testamento - tenha 39 livros, eles são idênticos no conteúdo real. A diferença para a contagem é que certos livros no Tanakh ficaram juntos.

 


Resposta:

Tudo muito “bonito e interessante”, se não fossem alguns pequenos detalhes que põem por terra todo o edifício construído sobre a areia.

1º) Cristo não “delineou” o cânon hebraico, como já notamos; na verdade, o máximo que Ele poderia fazer seria considerar a classificação dos Textos Escriturísticos da mesma forma que considera a tradição judaica anterior a Ele, como bem testemunha o Prefácio do livro do Eclesiástico: Lei - Profetas - Escritos (e que, portanto, já era conhecida também pelos judeus alexandrinos).

Até aí, nada de mais, pois já discorremos bastante sobre a questão...

2º) Quem estabeleceu a “lista hebraica” de livros de cada uma dessas categorias foram os judeus de Jâmnia, em plena Era Cristã e não sem muita controvérsia, como também já vimos anteriormente; e, mesmo assim, o parecer dado em Jâmnia caracterizou-se mais pelo consenso do que pela definitividade (=autoridade), pois ainda depois de Jâmnia os judeus discutiram sobre a canonicidade de Ezequiel, Provérbios e, novamente, os "desde sempre problemáticos" Cântico dos Cânticos, Ester e Eclesiastes...

Ora, se Jesus, ao adotar a tríplice partição tradicional das Escrituras vétero-testamentárias, se refere "claramente", "sabiamente", "desde o primeiro até o último livro do Velho Testamento", pergunta-se: quais livros especificamente? Incluiria também Cântico dos Cânticos, Ester e Eclesiastes, que sempre motivaram dúvidas e nunca foram citados no Novo Testamento, nem implicitamente? E estariam necessariamente excluídos os rolos deuterocanônicos inseridos dentro dessa tripartição, contra os quais Ele jamais disse algo - explícita ou implicitamente - que os comprometesse?

3º) Por outro lado, Pedro confessa e expressa com toda exatidão: Senhor, Tu sabes tudo!(João 21,17).

Mas não sabia o Senhor que o conteúdo do cânon bíblico viria a ser um problema entre os cristãos, da mesma forma que já era, no seu tempo, para os judeus? Por que Ele mesmo não estabeleceu o cânon dos Escritos Sagrados? Por que, após sua ressurreição, não ordenou a seus Apóstolos para que definissem rapidamente o cânon? Por que tolerou o uso da Septuaginta, que trazia consigo os deuterocanônicos? Por que permitiu que se fizessem referências implícitas a estes livros? Por que não tomou o cuidado devido de citar (ou mandar citar) explicitamente e exclusivamente cada um dos livros protocanônicos na 1ª oportunidade que surgisse? Por que também não apontou a "Sola Scriptura" como doutrina obrigatória para a Igreja?

Vejamos: a concepção virginal de Jesus em Maria Santíssima - um dos dogmas mais básicos do Cristianismo e aceito até mesmo pela maioria esmagadora dos protestantes, inclusive fundamentalistas, provém justamente da Septuaginta, da sua "leitura divergente" de Isaías 7,14. Com efeito, lemos no original hebraico:

Eis que a jovem (='almah) concebeu e dará à luz um filho” (Isaías 7,4 - hebraico).


Enquanto que no grego:

"Eis que a virgem (=partenos) concebeu e dará à luz um filho" (Isaías 7,4 - LXX)


Ora, como bem sabemos, "jovem" não significa necessariamente "virgem", como lemos no Novo Testamento (Mateus 1,23), que cita explicitamente a Septuaginta (e isto apesar de Mateus ser judeu palestinense!).


Não deveria, então, o artigo ora refutado, adotando tenazmente o cânon hebraico do Antigo Testamento, adotar também, para Mateus 1,23, a leitura do texto hebraico, pois sendo Mateus palestinense e tendo escrito seu evangelho originalmente em aramaico/hebraico, “almah” deveria ser "claramente" o "termo correto", "facilitando" aos destinatários protestantes do artigo, de quebra e sobremaneiramente, a resolução da controvérsia sobre os "irmãos do Senhor", em sentido carnal e consanguíneo?


4º) A ordem dos livros dentro de cada uma das três categorias é fruto de consenso humano (=tradição judaica, com "t" minúsculo) e não divino (=doutrina cristã). Prova disso é que, além das próprias Escrituras não indicarem quais são os livros que formam o seu cânon (quer do Antigo, quer do Novo Testamento, sendo o índice mera facilidade editorial), muito menos aponta onde cada um desses escritos poderia se enquadrar: 1Reis/2Reis, por exemplo, não se enquadrariam melhor como "Escrito" ao invés de "Profeta", considerando sua grande semelhança com 1Crônicas/2Crônicas? E Daniel, não se enquadraria melhor como "Profeta" ao invés de "Escrito", como faz a Septuaginta e claramente percebe o Novo Testamento?

 

Ora, no tocante a Daniel, por exemplo, reconhece o professor judeu Samuel Sandmel, da Hebrew Union College de Cincinatti (Ohio-EUA):

Embora Daniel, na Bíblia hebraica, seja encontrado entre a hagiografia [=Escritos] mais que entre os profetas, ele realmente foi um profeta” (Introdução aos Livros Profeticos, in Bíblia Sagrada Mirador Edição Ecumênica 1980; grifo nosso).

 

Pois bem. Prova dessa “dificuldade de enquadramento” encontramos nas Bíblias exclusivamente protestantes: muito embora adotem o cânon hebraico (com seus 24/39 livros), estes deveriam - logicamente - estar dispostos segundo a ordem que a Bíblia Hebraica estabelece (e que segue a definição de Jâmnia, do século I DEPOIS de Cristo), ou seja:

a) A Lei: Gênesis até Deuteronômio


b) Os Profetas: Josué até Malaquias


c) Os Escritos: Salmos até 2 Crônicas


Porém, o que encontramos quando abrimos essas Bíblias? Contraditoriamente, esses 39 livros - aliás, deveriam ser exatamente 24, como na Bíblia Judaica! - ordenados (e divididos) conforme a ordem (e divisão) da Septuaginta grega, com uma variaçãozinha aqui ou acolá (p.ex.: Jó antes de Salmos); ou seja, numa 5ª ordem alternativa, ainda que distribuídos conforme as suas 2, 3 ou 4 categorias seguidas pela Septuaginta!

5º) Ora, a partir do momento em que a ordem dos livros passa a influir numa questão tão importante quanto a definição EXATA do cânon das Escrituras, isto deixa de ser mero costume/disciplina (sujeitos a mudanças temporais, conforme critérios de conveniência e oportunidade) e passa a ser doutrina fixa (logo, inalterável desde sempre). Com efeito, é de se perguntar:

a) Por que o próprio Jesus Cristo não o definiu expressamente, apontando nominalmente cada um dos livros e, obviamente, sua ordem dentro de cada uma das 3 divisões da Bíblia hebraica?

b) Por que os Apóstolos não "reordenaram" definitivamente os livros da Septuaginta que adotaram (cf. João 14,17)? Por que não resolveram essa questão no Concílio Apostólico de Jerusalém (Atos 15) ou em outro Concílio especialmente convocado para isso?

c) Por que os cristãos primitivos (cf. João 16,13), antes da Igreja ter sido "corrompida por Constantino" (para quem acredita nesta estória), também não o definiram autoritativamente?

d) Por que figuras magn

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